Capítulo I
Dos charrúas ao século XXI: uma história de resistência, traição e reforma.
Antes de chegada dos europeus, estas terras eram habitadas pelos charrúas: um povo guerreiro, nômade, que resistiu à colonização espanhola durante quase dois séculos. Não construíram cidades nem impérios. Se moviam. E era isso que fazia eles serem invencíveis.
Em 1831, o governo uruguaio recém-livre os massacrou quase por completo no que se conhece como a Matanza de Salsipuedes. Uma emboscada organizada pelo próprio Estado. Um episódio que o Uruguai tardou muito em reconhecer.
Matanza de Salsipuedes — o governo uruguaio cerca e massacra a maior parte da população charrúa sobrevivente. Não houve nenhuma fuga.
A Banda Oriental era disputada por dois impérios: Espanha e Portugal, Buenos Aires e Rio de Janeiro. O homem que tentou mudar isso se chamava José Gervasio Artigas.
Artigas vai além de herói nacional uruguaio. Para muitos historiadores, é o primeiro pensador federal e popular de toda a América Latina.Propôs uma Reforma Agrária. Defendeu aos mais pobres.
E foi traido. Exilado no Paraguai, onde morreu, sozinho, aos los oitenta e cinco anos. A história o recorda como o herói que tardou a nascer.
Use os botões para acompanhar como o território uruguaio passou de região disputada à independência.
Uruguai se tornou independente em 1828. Não por uma grande batalha, e sim por um acordo diplomático entre Argentina e Brasil, com mediação britânica.
Un país que nasceu, em parte, como zona de amortecimento entre dois impérios. Mas que, desde o primeiro momento, decidiu seguir outro caminho.
"Desde el principio, Uruguay fue así: pequeño, disputado, y terco."